Casos de mpox reacendem alerta entre populações de alta renda e reforçam atenção aos sintomas
Autoridades de saúde voltaram a emitir alertas sobre a mpox, doença infecciosa causada pelo vírus monkeypox, após o registro de novos casos em diferentes países. Embora a enfermidade possa atingir pessoas de todas as classes sociais, especialistas observam que, em grandes centros urbanos, há aumento de diagnósticos também entre indivíduos de alta renda, especialmente aqueles com intensa vida social e viagens internacionais frequentes.
A mpox ganhou notoriedade global em 2022, quando a Organização Mundial da Saúde declarou emergência de saúde pública de interesse internacional diante da rápida disseminação da doença fora de regiões onde o vírus era historicamente endêmico. Desde então, campanhas de informação e estratégias de vacinação ajudaram a reduzir os casos, mas a vigilância permanece ativa.
De acordo com infectologistas, o perfil socioeconômico não é um fator biológico de risco, mas pode influenciar comportamentos associados à exposição. Pessoas com maior poder aquisitivo costumam viajar com mais frequência para o exterior, participar de grandes eventos e manter ampla rede de contatos — fatores que podem aumentar a probabilidade de contato próximo com alguém infectado, principal forma de transmissão da mpox.
Os sintomas da doença geralmente começam entre cinco e 21 dias após a exposição ao vírus. Os primeiros sinais incluem febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, cansaço e inchaço dos gânglios linfáticos — característica que ajuda a diferenciar a mpox de outras infecções semelhantes. Após um a três dias do início da febre, surgem erupções cutâneas que evoluem de manchas para bolhas e, posteriormente, crostas.
As lesões podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, nos órgãos genitais e na região anal. Em alguns casos recentes, médicos relataram quadros com poucas lesões, mas bastante dolorosas, especialmente na área genital, o que pode levar pacientes a confundirem a doença com infecções sexualmente transmissíveis.
Especialistas reforçam que a transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias em contato próximo e objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas. Embora a maioria dos casos seja leve e autolimitada, complicações podem ocorrer, sobretudo em pessoas com sistema imunológico comprometido.
Entre as recomendações estão evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas suspeitos, higienizar as mãos com frequência e procurar atendimento médico ao notar sinais compatíveis com a doença. O diagnóstico precoce contribui para o isolamento adequado e redução da cadeia de transmissão.
Autoridades sanitárias também enfatizam que o combate ao estigma é fundamental. Durante o surto global, houve preocupação com a associação indevida da doença a grupos específicos. A informação baseada em evidências científicas é considerada essencial para prevenir discriminação e incentivar que qualquer pessoa com sintomas busque ajuda médica.
Com a circulação internacional ainda intensa e eventos de grande porte retomados em diversas cidades, a vigilância epidemiológica continua sendo peça-chave. Profissionais de saúde alertam: independentemente da renda ou estilo de vida, reconhecer os sintomas da mpox e agir rapidamente é a melhor forma de proteger a si mesmo e aos outros.